Postos entram na mira do governo federal após alta nos preços dos combustíveis

Operação Carga Pesada irá fiscalizar postos para apurar possíveis aumentos abusivos nas margens de lucro dos combustíveis em todo o País
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A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), iniciou a Operação Carga Pesada, que realizada em postos de combustíveis de todos os estados do País, com foco na apuração de possíveis aumentos abusivos nas margens de lucro.

Na terça-feira (22) foi realizada uma reunião emergencial com mais de 100 representantes de Procons estaduais e municipais de todo o País para alinhar ações de fiscalização do mercado de combustíveis, marcando o início da operação.

Conforme a Senacon, a ação foi motivada pelo aumento dos preços dos combustíveis observado nas últimas semanas e dos dados de fiscalização e das denúncias compartilhados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Na sexta-feira (18), a ANP informou que havia recebido cerca de 330 denúncias relacionadas a possíveis aumentos abusivos de preços.

Conforme reportagem, em Mato Grosso do Sul, o preço médio do litro da gasolina comum subiu nas últimas semanas de setembro, enquanto a previsão divulgada anteriormente apontava para uma redução de R$ 0,12 no litro.

O preço médio passou de R$ 6,25 para R$ 6,26 entre as semanas de 6 a 12 e de 13 a 19 de setembro. No mesmo período, a média estadual avançou de R$ 6,40 para R$ 6,42.

A Operação Carga Pesada será realizada em âmbito nacional com a participação da Senacon e dos Procons estaduais e municipais, em articulação com a ANP. A mobilização também conta com o apoio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e da Força Nacional, por meio de articulação do MJSP.

O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, explicou que a liberdade de mercado não pode servir de justificativa para abusos contra o consumidor.

“O que estamos fazendo é integrar Senacon, Procons, ANP e, quando necessário, as forças de segurança para ampliar a fiscalização em todo o País. Havendo indícios de irregularidade, o Estado vai fiscalizar, investigar e adotar as medidas cabíveis. Combustível pesa diretamente no orçamento das famílias e no custo de praticamente tudo que circula no Brasil, por isso essa atuação precisa ser rápida, coordenada e permanente”, disse.

“Nós não multamos preço em bomba, não multamos aumento do preço. O que nós multamos, com base no artigo 39, inciso X, é o aumento da margem de lucro”, acrescentou o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita.

O objetivo é ampliar a fiscalização sobre óleo diesel S10, gasolina comum e, quando houver interesse dos órgãos locais, etanol, com prioridade para os combustíveis líquidos.

A Secretaria disponibilizará aos Procons modelos de autos de infração, autos de constatação e nota técnica de orientação, além de uma planilha para auxiliar o registro das informações coletadas durante as fiscalizações.

Denúncias

Dados apresentados durante a reunião apontam que o preço médio do diesel S10 no País chegou a R$ 7,13 em 19 de setembro, com aumento de 2,3% na última semana, equivalente a R$ 0,16.

Entre os estados com maiores variações no período estão Bahia, Mato Grosso, Pernambuco, Sergipe e Tocantins.

Em relação à gasolina comum, o preço médio nacional chegou a R$ 6,54 em 19 de setembro, com variação de 0,2% na última semana, equivalente a R$ 0,01. Os estados com maiores variações foram Mato Grosso, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná e Piauí.

O etanol, que registrou aumento de 3,3% na última semana, e informou que os estudos detalhados, com recortes por estados e municípios, serão compartilhados com os Procons.

Os consumidores podem contribuir para a identificação de possíveis irregularidades no mercado de combustíveis.

Situações como variações de preços que demandem apuração podem ser comunicadas aos Procons estaduais e municipais ou à ANP, pelo telefone 0800 970 0267 e pelos canais digitais da agência, incluindo o aplicativo ANP com Vc – Postos.

Para facilitar a análise, a recomendação é que o consumidor informe o estabelecimento, endereço, combustível, preço e data da ocorrência e, quando disponível, encaminhar documentos que ajudem a comprovar o relato, como notas fiscais e registros dos valores anunciados ou praticados.

 

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