Com o seu repertório calcado em ritmos nordestinos, como o xote e o baião, e em baladas românticas de muito sucesso, a cantora Elba Ramalho se junta ao Maestro Spok na primeira noite do 24º Festival de Inverno de Bonito, hoje.
A artista paraibana, que completou 74 anos no domingo, faz a sua apresentação ainda no embalo das festas juninas e julinas, emendando com os vários festivais de inverno que tomam conta da temporada por todo o País.
Na quinta-feira, Elba fez o show principal da noite de abertura do 50º Festival de Inverno de Campina Grande (PB). No dia seguinte, estava em Brasília, onde participou do Na Praia Festival, com direito a canjas com Alceu Valença e o primo Zé Ramalho, parceiros de longa data.
Em qualquer canto que vai, ela é sinônimo de festa garantida. Suas apresentações, cheias de energia, enfileiram um hit atrás do outro, com a voz aguda e vibrante e uma presença de palco que contagia desde o primeiro momento, fazendo jus ao título de Madonna de Agreste, como os fãs passaram a chamá-la.
“Bate Coração”, “Banho de Cheiro”, “Toque de Fole”, “Canção da Despedida”, “Ai Que Saudade D’ocê”, “Banho de Cheiro”, “De Volta pro Aconchego”, todas dos anos 1980, estão entre as canções que não devem faltar.
“Maria Forrozeira” e “Nosso Xote”, sucessos de “Isso Quer Dizer Amor” (2024), mais recente álbum de estúdio da cantora também estarão no set list da cantora, comprovando a marca atemporal de seu talento como intérprete e de sua pegada em cena, cheia de molejo e carisma, transformando qualquer apresentação em um baile, no arrasta-pé em que ninguém para de dançar.
O pernambucano Spok no palco só engrossa o fio de pólvora do show. O maestro e saxofonista renovou o jeito de tocar o frevo e também é um fenômeno como band leader.
O 24º Festival de Inverno de Bonito prossegue na quinta-feira, com o grupo Titãs, tendo à frente Branco Mello, Sérgio Brito e Tony Bellotto, da formação original, e, no repertório, as canções de “Microfonado” (2024) e “Olho Furta-Cor” (2022), além de composições incontornáveis de uma carreira que já soma mais de quatro décadas, a exemplo, “Flores” e “Homem Primata” e “Televisão”.
O ex-Skank Samuel Rosa (sexta-feira), Jorge Aragão (sábado) e a dupla Guilherme & Santiago (domingo) completam o line-up principal. Todos esses shows serão realizados no palco Lua, localizado na Rua Pilad Rebuá.
Mais três palcos integram o circuito do evento, que apresenta uma programação bem mais ampla: palco Sol, na Praça da Liberdade, “espaço dos talentos multifacetados”; palco Água, no Balneário Municipal, “ponto de encontro de diferentes ritmos”; e palco Futuro, no Centro de Múltiplo Uso, “com toda a pluralidade sul-mato-grossense”.
OUTRAS ARTES
Além de música, artes cênicas, artes visuais, cinema, atividades que promovem a sustentabilidade, a formação cultural e a economia criativa também estão na agenda do Festival, que ganha um realce a mais pela exuberância das paisagens naturais de Bonito. Toda a programação é gratuita.
Neste ano, o Festival de Inverno de Bonito contará com um total de 131 atrações distribuídas ao longo de quatro dias de programação. Espalhadas por praças, ruas e escolas, acontecem oficinas, contações de histórias e rodas de conversa que reforçam a vocação do evento para a diversidade cultural e o diálogo entre diferentes linguagens artísticas.
O Pavilhão das Artes, na Praça da Liberdade, mantém-se como ponto tradicional do artesanato, moda, economia criativa, literatura e gastronomia. Local onde exposições, “cores e sabores” fazem o papel de cartão de visitas de nossa identidade sul-mato-grossense.
Também na Praça da Liberdade, a Tenda dos Saberes Indígenas vai além da exposição de trabalhos e divulgação de histórias. É oportunidade para reafirmação de um modo de ser e viver dos povos originários do Pantanal e do Cerrado.
A grande novidade é o Lounge Educativo Geek Literário, com estações liberadas para o público jogar livremente títulos clássicos e novidades do mundo dos games. Diversos jogos estarão disponíveis para experimentação, interação e partidas casuais entre os participantes, de forma totalmente gratuita.
OFICINAS
Desde o primeiro dia, diversas oficinas gratuitas farão parte da programação, usando o aprendizado como alicerce para o protagonismo cultural. Ministradas por artistas e produtores de Mato Grosso do Sul e de outros estados, as atividades unem técnica e criatividade para disseminar saberes.
Além das tradicionais oficinas de artesanato, o Festival de Inverno de Bonito oferece uma imersão nas tradições que moldam a cultura do Estado. Como a Oficina de Catira e Viola Caipira, desenvolvida por Girsel da Viola e Ariane Rodrigues no Clube do Laço, que destaca um dos mais tradicionais instrumentos da música sertaneja e uma expressão cultural que vai além dos acordes.
A Oficina de Vivência Berranteira: Mulheres no Berrante, ministrada por Fernanda Reverdito e sua mãe, Ramona, gestoras da Casa da Memória Raída, preserva e difunde a memória cultural da região de Bonito, Serra da Bodoquena e Pantanal.
Já as paisagens estão no foco da Oficina de Sketchers, que reunirá artistas e entusiastas que apreciam verdadeiros documentos culturais e históricos inspiradores pela arte.
DE MS
Confira, a seguir, artistas e grupos do Estado de diferentes linguagens que também participam do evento: grupos Imaginário Maracangalha e Esboço Caótico (teatro); Produza e Techno (performance de rua); Balroom MS (cultura balroom); Pipokinha e Cia. Apoema (circo); Coletivo Toys (skate); Halley Star (body art); Saindo da Toca e Coletivo Liga Breaking (hip hop); Ginga Cia e Kipaéxoti (dança); Rock Sellers, As Máquinas do Seu Antônio, Mataguéw, Mulheres de Quinta, Chicão Castro, Uskaradakombi e Samba 10 (música).
O evento é uma realização do governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura (Setesc) e Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), com apoio da prefeitura de Corumbá.
Com execução realizada pela Associação dos Artistas do MS e produção das empresas Segue o Groove (Nayara Campos), Tony Prada Cultura, Cebracen, Fabrik (Alex Faria) e Mundo Digital (Alexandre Lima), o responsável técnico é o produtor cultural José Mauro Gnaspini (Virada Cultura de São Paulo).



