Na terça-feira (16), a obra inacabada do corredor de ônibus da Rua Bahia voltou a ser pauta na Tribuna da Câmara Municipal de Campo Grande. Comerciantes da região solicitam a volta do modelo antigo da via, com mais uma pista de rolamento e a faixa de ônibus ao lado direito.
O empresário Marcio Ocampos, a convite do vereador André Salineiro (PL), representou um grupo de comerciantes da região que reclamam da obra.
“Estou dando voz a quem vive no bairro. Estamos vendo o trânsito caótico, não está bom nem para os motoristas, nem para os ônibus. Há três anos surgiu o projeto de construir o corredor de ônibus e virou o caos de uma obra inacabada”
Além da indignação pela demora para concluir a obra, Marcio e o grupo levantaram outras considerações em reuniões:
trânsito de Campo Grande está cada vez mais numeroso e complexo;
ter diminuído uma pista de rolamento vai ao contrário de tudo que uma cidade inteligente precisa;
faixa da esquerda destinada aos ônibus vai contra o que a cidade precisa;
fluxo dos veículos não obedece a destinação dos ônibus e os mesmos circulam pela pista da direita;
pontos de ônibus no meio das vias nas ruas Bandeirantes e Brilhante são modelos equivocadamente copiados e que deram certos em outras cidades, mas que não são a realidade da cidade.
O grupo solicita a reversão do modelo e afirma que não terá grande gasto financeiro e de tempo ao município.
Em agosto deste ano, o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Marcelo Miglioli afirmou que a estimativa de custo para concluir esses corredores é de R$ 100 milhões, entretanto, 40% desse valor, ou seja, R$ 40 milhões, deveria vir do Município.
O projeto na Rua Bahia, primeiro trecho do corredor norte, que liga a Avenida Afonso Pena com o Terminal General Osório, envolve quatro estações, localizadas nas esquinas com as ruas da Paz, Antônio Maria Coelho, das Garças e das Paineiras.
Processos anteriores
Em maio de 2021, o juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, negou liminar para suspender as obras do corredor do transporte coletivo, devido ao risco da Prefeitura de Campo Grande perder o financiamento de R$ 120 milhões.
Além disso, em fevereiro de 2024, a 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) rejeitou uma ação movida por 12 pessoas, que tramitava na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande.
A ação constava que não houve debate recente sobre o tema e que faltaram estudos para mostrar que a mudança na via não provocava impactos. A Justiça manteve sentença que considerou regular a criação do corredor de ônibus na Rua Bahia.
Projeto e atraso
O projeto foi aprovado em 2011 com a elaboração do primeiro Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Urbana. A proposta segue diretrizes da Lei Federal nº 12.587/2012, que obriga os municípios a adotar políticas voltadas à mobilidade urbana sustentável.
Previstos no Plano de Mobilidade Urbana de Campo Grande, em vigor desde 2015, as obras dos corredores de ônibus na capital só começaram em 2016.
“O que impede a continuidade das obras são as ações judiciais que param o processo. Muitas vezes, quando ganhamos a causa, o empresário vencedor da licitação já não quer mais seguir, pois o valor está defasado”, afirma a diretora-adjunta da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Andréa Figueiredo.


