Os peixes que ficaram presos em poças começaram a ser retirados em um trabalho de voluntários, em duas das áreas mais críticas, em uma extensão aproximada de 6 km em que o Rio da Prata secou, acima da ponte do Curê, em Jardim.
Como explicou o presidente do Instituto Mirim de Guarda Ambiental, Nisroque da Silva Soares, as observações começaram no dia 6 de setembro, quando foi percebida a diminuição da água do rio na região.
Os peixes ficaram ilhados em poças que, com o passar dos dias e o calor intenso, foram diminuindo. Na manhã de sexta-feira (19), a retirada dos peixes começou em dois locais onde a situação estava mais crítica para os animais.
No ano anterior, o Instituto realizou duas intervenções para a retirada dos peixes, e a estimativa foi a remoção de mais de 600 animais, que posteriormente foram devolvidos em outro ponto do rio.
Já nessa primeira intervenção, Nisroque explicou que o grupo vai atuar nas poças menores, em que os animais precisam ser retirados imediatamente devido à velocidade com que a água está evaporando.
A estimativa, segundo o presidente, é que uma das poças, onde os peixes estão lutando pela sobrevivência, tenha seis metros por dois, enquanto a outra possua dez metros por quatro.
Além dos voluntários do Instituto, outras pessoas irão participar. Neste ano, o Atrativo Recanto Ecológico Rio da Prata e o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) não irão auxiliar com efetivo, mas enviaram recursos. Também auxiliam a Polícia Militar Ambiental (PMA) e proprietários rurais.
A ação ocorre com aval do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que autorizou a retirada dos animais.
Entre as espécies observadas, os peixes ilhados incluem:
piraputanga;
curimba;
lambari;
pequenos peixes.
Após a retirada os peixes são levados a outro ponto e devolvidos ao rio.
Secas em principais rios de MS
Em 2024, como acompanhou a reportagem, os principais rios que alimentam o Ecoturismo e o Pantanal secaram.
Os rios da Prata e Miranda, os quais têm não só importância econômica – abastecendo água direta e exclusivamente ao menos três cidades de MS ou pouco mais da metade (51%) da população sul-mato-grossense –, mas também para a manutenção de um sistema complexo de biodiversidade, têm apresentado uma série de sinais de degradação, com trechos que chegaram a secar integralmente ao longo de 11 km de percurso.
Naquele período, tanto o Rio da Prata quanto o Rio Miranda sofreram pressão diante da estiagem severa e da constatação de passivos ambientais em áreas de Cerrado. Por isso, suas respectivas sobrevidas entraram na pauta de inquéritos do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS). Espetáculo da natureza sul-mato-grossense.



