Após “novela” na dilatação do prazo do contrato para manutenção dos semáforos em Campo Grande, há trechos da Capital, a contratação de R$ 23 milhões que quase chegou a R$92 mi até 2029 permite que o Executivo e Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) troquem “seis por meia dúzia” na sinalização semafórica da Cidade Morena, o que não é visto com bons olhos por parte da população.
Em alguns pontos de Campo Grande, como nos cruzamentos da avenida Fernando Corrêa da Costa com a rua 13 de maio, por exemplo, é possível observar que semáforos que já tratavam-se de equipamentos de led, modelos atualizados, estão sendo substituídos por novos.
A imprensa, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito justificou que esses equipamentos seriam sim “antigos”, sem detalhar a idade de quando os equipamentos em plena região central teriam sido trocadas, mas deixando claro que tais trocas não foram motivadas por panes ou depredações e vandalismos.
“A substituição dos semáforos ocorre como parte de um processo de manutenção preventiva. Os equipamentos são antigos e já vinham sendo trocados gradualmente ao longo do tempo”, argumentou a Pasta em nota de retorno.
Além disso, a Agetran cita seu compromisso com a “segurança viária, a fluidez e a eficiência no trânsito”, reforçando que a atual etapa abrangerá a troca de todos os semáforos localizados na Avenida Fernando Corrêa.
Fala, povo!
Ainda que o Executivo e respectiva página responsável aponte para a regularidade da ação, aqueles condutores que passam com frequência pelo trecho questionam as razões do Executivo.
Motorista de aplicativo, Genival Alves de Oliveira afirma que passa com frequência pelo caminho da rua 13 de maio, no cruzamento com a Fernando Corrêa, afirmando que a troca em questão não seria necessária.
“Não precisava de jeito nenhum. Se está bom o sinal, para que vai trocar? E eu já vi em outras ruas por aí também, com esse saco preto no sinaleiro”, afirma.
Sílvia da Silva é advogada e, em cima de sua moto, também comenta que o trecho é seu caminho cotidiano, afirmando que os semáforos sequer estavam prejudicados.
“Não estava prejudicado não. A qualidade era normal, aqui é uma onda verde e um dos únicos locais onde o semáforo não falha em Campo Grande. Totalmente desnecessário eu acho”, argumenta ela.
Celso Campos também trabalha como motorista de aplicativo e, ao ser questionado no intervalo de parada do semáforo, compartilha a mesma opinião questionando a necessidade da ação.
“Se o equipamento está bom, eu acho que não é necessária a troca. Eu acho que tinha outro lugar para ser feito”, diz ele sobre o dinheiro empregado.
Contrato de semáforos
Recentemente, em 17 de setembro, o Executivo de Campo Grande chegou a anunciar uma renovação com o Consórcio CAM II que se estenderia por 48 meses, quase fazendo a contratação de R$23.200.359,81 custar R$92.801.439,20 até o fim de 2029.
Desde 2018 o contrato de semáforos era de responsabilidade do Consórcio CAM, sofrendo um reajuste de 63,01% em 5 anos e chegando a custar R$51,8 milhões por ano aos cofres públicos quando foi renovado em 2023.
Após denúncias contra esse contrato, houve uma verdadeira “novela de abre e fecha” de uma nova licitação, entre suspensões e reaberturas do processo, reaberto por definitivo no dia 6 de setembro de 2024.
Nesta “novela”, menos de 30 dias após troca no comando da Agetran – de Janine Bruno (que chefiou a pasta por sete anos) pelo ex-dono de autoescola, Paulo Silva -, houve suspensão da licitação de valores que chegavam a R$24 milhões.
Suspensa para “análise de pedido de impugnação”, a licitação milionária foi retomada em menos de quarenta e oito horas nessa ocasião, em 16 de maio; para nova suspensão no dia 23 daquele mês em obediência ao Despacho DSP G.MCM 14968/2024″, do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul.
A outra retomada anunciada em 27 de agosto, sendo que, nesse meio tempo houve o período de análises do catálogo e amostras até a continuidade publicada na semana passada, em 05 de setembro e termo de homologação assinado pela atual prefeita, Adriane Lopes, datado de 09 de setembro, quando a empresa Arc assumiu.



