O Rio Paraguai voltou a operar em condições favoráveis de navegação comercial e impulsionou um crescimento expressivo no transporte de cargas em 2025. Entre janeiro e setembro, foram movimentadas 7,6 milhões de toneladas de mercadorias, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O volume representa um aumento de 173% em relação ao mesmo período de 2024, quando a hidrovia enfrentou forte restrição por conta da seca.
O desempenho é puxado sobretudo pelo minério de ferro, extraído em Corumbá e Ladário. Do total transportado, 7 milhões de toneladas correspondem ao mineral, consolidando-o como o principal produto dependente da via fluvial. Também contribuíram para o balanço cargas de soja, terras e pedras, ferro e aço, além de carvão vegetal.
A predominância do minério também aparece no ranking dos portos mais movimentados. O terminal Gregório Curvo, de uso exclusivo da LHG Mining em Porto Esperança, lidera com 4,2 milhões de toneladas. Em segundo lugar está o terminal da Vetorial Logística, em Corumbá, com 1,8 milhão, seguido pelo porto da Granel Química, em Ladário, que registrou 1,2 milhão de toneladas — grande parte também de minério.
Toda a carga embarcada no período teve como destino o mercado internacional, com destaque para a China, principal compradora.
Hidrovia volta ao centro das discussões no governo federal
O desempenho renovou o interesse do governo na ampliação e na regularização da navegação na hidrovia Paraguai–Paraná. Em outubro, durante visita a Cáceres (MT), o vice-presidente Geraldo Alckmin, então no exercício da Presidência durante viagem de Lula à Ásia, voltou a defender avanços na infraestrutura do modal e mencionou novamente a possibilidade de retomada do Tramo Norte, entre Cáceres e Corumbá.
“Precisamos ter eficiência econômica, reduzir custos, melhorar a logística e integrar modais. A hidrovia do Paraguai é essencial”, afirmou Alckmin durante coletiva.
O vice-presidente também disse que trataria, junto ao Ministério dos Portos e Aeroportos, dos entraves ambientais e regulatórios do Tramo Norte, cuja liberação esbarra em estudos que apontam riscos ecológicos.
Integração continental e concessão à vista
A hidrovia também integra o planejamento do Ministério do Planejamento dentro do programa Rotas de Integração Sul-Americana. Na Rota 4 – Bioceânica de Capricórnio, ela é considerada estratégica para conectar Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, além de encurtar caminhos logísticos rumo à Ásia.
Segundo Murilo Lubambo, coordenador-geral de articulação institucional para a integração sul-americana, a proposta prioriza um modelo multimodal. “Não estamos nos concentrando apenas no transporte rodoviário, mas incorporando ferrovias e hidrovias”, disse, durante entrevista na COP30.
Paralelamente, o processo de concessão da hidrovia segue em análise, com avaliações pendentes no Tribunal de Contas da União (TCU). A expectativa inicial era lançar a licitação ainda este ano, mas o governo já admite que o cronograma deve avançar para 2026.


