Após receber título de área livre de febre aftosa, MS vai ampliar exportações

Comitiva de Mato Grosso do Sul recebeu certificado na manhã de hoje em Paris
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O Estado de Mato Grosso do Sul recebeu ontem o certificado de área livre de febre aftosa. O reconhecimento internacional foi entregue durante a 92ª Sessão Geral da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), realizada em Paris.

Fizeram parte da comitiva sul-mato-grossense a senadora Tereza Cristina (PP), o secretário da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, secretário-executivo de Desenvolvimento Sustentável, Rogério Beretta, o diretor-presidente da Agência Estadual de Vigilância Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Daniel Ingold, o presidente da Famasul, Marcelo Bertoni, e o deputado estadual Paulo Corrêa, representando a Assembleia Legislativa do Estado (Alems).

Conforme o governador Eduardo Riedel, com o recebimento do certificado, deve haver um aumento nas exportações, beneficiando os produtores locais.

“A partir de agora os produtores de Mato Grosso do Sul têm mercados abertos, mercados nobres, e nós vamos buscar esses mercados para ampliar nossa exportação. Isso gera mais emprego, agrega valor para nossos produtos, atrai novos investimentos. Por isso é um dia feliz hoje, histórico. Foram 20 anos para chegar nele”, afirmou Riedel.

Histórico de exportações

No ano passado, Mato Grosso do Sul exportou cerca de US$ 1,278 bilhão em carne bovina, equivalente a 282,21 mil toneladas. Os principais destinos foram China, Estados Unidos e Chile, que concentraram 57,18% do valor exportado.

Já no primeiro quadrimestre de 2025, as exportações somaram US$ 510 milhões, com destaque novamente para China (25,6%), EUA (22,76%) e Chile (13,52%).

No contexto nacional, o Brasil exportou em 2024 US$ 12 bilhões e 2,8 milhões de toneladas de carne bovina em 2024. Destas, Mato Grosso do Sul teve partcipação de 9,97% do valor e 9,82% do volume total.

Já nos primeiros meses de 2025, esses percentuais subiram para 11,26% e 11,23%, respectivamente.

“Esse novo status sanitário não beneficia apenas a bovinocultura. Também cria oportunidades para a suinocultura de Mato Grosso do Sul, que agora poderá acessar mercados restritos, como o Japão, antes exclusivos de estados como Santa Catarina. A certificação amplia nossas possibilidades comerciais e abre portas para mercados mais sofisticados e que remuneram melhor os nossos produtos”, explicou Verruck.

O ambiente de negócios interno de Mato Grosso do Sul também deve ser beneficiado com o novo status, especialmente o setor agroindustrial.

“Com a abertura de novos mercados, o Estado se torna ainda mais atrativo para investimentos na cadeia produtiva da carne bovina e suína. Isso se reflete em novas oportunidades para a agroindústria e para o produtor rural. Mas é essencial que mantenhamos a estrutura de vigilância e o comprometimento de todos os envolvidos para garantir a permanência deste status no longo prazo”, finalizou o secretário.

Trabalho duro

Desde 2005, quando houve a reintrodução do vírus da febre aftosa em Mato Grosso do Sul, o Governo do Estado vinha fazendo esforços para erradicá-lo. Foram investidos R$ 243 milhões para que o estado atingisse o marco de área livre de febre aftosa.

Outros 20 estados brasileiros e o Distrito Federal também receberam o status sanitário durante o evento. Apenas Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e do Mato Grosso já eram consideradas áreas livre da doença até a manhã de hoje.

Segundo o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, o reconhecimento chegou dois anos após a suspensão da vacinação obrigatória contra a doença em MS.

“Reforçamos as unidades de fiscalização, investimos na educação sanitária do produtor e mantivemos campanhas sistemáticas de vacinação. Nos últimos dois anos, suspendemos a vacinação e seguimos todos os protocolos internacionais. Agora, com o reconhecimento oficial da OMSA, abrimos uma nova etapa para o Estado, tanto do ponto de vista da sanidade animal quanto da ampliação de mercados”, destacou Verruck.

O apoio do Ministério da Agricultura e o comprometimento do estado com o Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA) foi fundamental para atingir o marco, conforme explicou o diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold.

“A Iagro teve papel fundamental em todas as etapas do processo: vigilância epidemiológica, controle de doenças, certificação sanitária, fiscalização, educação sanitária e ações de fronteira. Coletamos mais de 8 mil amostras de bovinos e ampliamos nossa equipe com mais de 50 novos fiscais agropecuários concursados. Essa conquista coroa o trabalho técnico e integrado feito nos últimos anos”, ressaltou Ingold.

Investimentos

Os R$ 243 milhões investidos para garantir a sanidade animal e conquistar o status de área livre de febre aftosa sem vacinação em Mato Grosso do Sul foram aplicados nas seguintes áreas:

R$ 22,4 milhões aplicados na aquisição de 107 camionetes, fortalecendo a atuação em campo e descentralizando o atendimento.

mais de R$ 65 milhões destinados ao aprimoramento do sistema eSaniagro, com avanços na digitalização, conectividade, rastreabilidade e integração de dados.

De 2018 a 2024, foram investidos mais de R$ 543 milhões em salários e encargos, com a contratação de 52 novos fiscais agropecuários (médicos veterinários) entre 2015 e 2025.

com investimento de R$ 736 mil, foi criada a Sala de Controle e Operações, que fortalece a inteligência operacional da IAGRO, permitindo monitoramento em tempo real e respostas ágeis a eventos críticos, com infraestrutura integrada ao sistema eSaniagro e outras plataformas de vigilância.

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