Na Capital, folia boa é pular fogueira e beber quentão

Pesquisa divulgada neste mês mostrou que o campo-grandense prefere a festa de Santo Antônio ao Carnaval
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Não é novidade que, em muitas capitais brasileiras, o Carnaval é considerado a maior festa popular do ano. Mas, em Campo Grande, quem reina absoluta no coração da população é a festa junina.

Em uma pesquisa recente, divulgada pela JLeiva Cultura & Esporte, sobre os hábitos culturais da população, foi identificado que as comemorações em junho e julho atraem o dobro de campo-grandenses em comparação com o Carnaval, mostrando que a tradição das bandeirinhas coloridas, quadrilhas e comidas típicas fala mais alto na identidade da cidade.

Seja nas escolas, nos bairros ou no grande Arraial de Santo Antônio, as festas juninas são parte de memórias afetivas de várias gerações e se transformam em verdadeiros encontros comunitários.

Famílias inteiras se reúnem para dançar quadrilha, comer arroz carreteiro, passar manteiga no milho cozido, disputar um conjunto de potes no bingo e até saborear o famoso sobá, que ganhou lugar nas barracas ao lado do quentão e do tereré.

PÚBLICO FIEL

Tradicional no calendário da cidade, a 23ª edição do Arraial de Santo Antônio teve um público estimado de 40 mil pessoas ao longo dos quatro dias de festança. A comemoração mostrou que, de fato, é uma das mais significativas manifestações culturais de Campo Grande.

Mais que só diversão, o arraial movimenta a economia da Capital. De acordo com a pesquisa de perfil e satisfação, elaborada pela Gerência de Desenvolvimento Turístico da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), feita durante o evento, cerca de 90% dos participantes relataram ter gasto, em média, R$ 100 durante a festa, especialmente com alimentação e entretenimento. Um grupo menor indicou ter gastado até R$ 200.

Toda a renda arrecadada nas 30 barracas de comidas típicas foi destinada integralmente às entidades participantes, que utilizam os recursos em projetos e ações sociais ao longo do ano, reforçando o caráter solidário do arraial.

E não são só os campo-grandenses que são atraídos pela festa. Visitantes sul-mato-grossenses de Aquidauana, Bonito, Corumbá, Dourados, Miranda, Rochedo e Sidrolândia também passaram por aqui, bem como turistas de mais longe, vindos de Belo Horizonte (MG), Cruz Alta (RS), Manaus (AM), Nova Iguaçu (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).

VOCÊ FOI?

Mas não foi só a prefeitura que brilhou nas comemorações juninas. A cidade foi palco de mais eventos tradicionais durante os meses de junho, julho e até agosto.

Houve arraiais no Círculo Militar, na Feira Borogodó, na Polícia Militar no Bairro Tiradentes, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, na Paróquia Coração Eucarístico de Jesus e no Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, entre outros.

É DIFERENTE

Além da dimensão econômica e do impacto positivo para a cidade, o que explica a preferência da população pela festa junina é o espírito comunitário.

Diferentemente do Carnaval, que é associado a grandes desfiles e blocos, a festa junina campo-grandense é marcada pelo ambiente familiar e acolhedor, e a cidade se enche de cores, sabores e música, resgatando tradições que unem gerações e reforçam o sentimento de pertencer a essa terra.

É isso o que pensa a pedagoga Sofia Bento, de 26 anos. “Eu prefiro bem mais uma festa junina mesmo, é um momento mais família, tem muita comida boa, com aquele gostinho de infância. Como mãe, é ótimo para levar minha filha, passear, é uma ‘baderna’ mais controlada e boa”, declarou.

Nascida em uma das capitais do Carnaval, a carioca Nicole Gonçalves, de 26 anos, conta que da folia só sente falta dos desfiles das escolas de samba, mas que prefere a festa com a cara do campo-grandense.

“Eu vim do Rio de Janeiro e meu contato com o Carnaval era bem próximo, mas, para dizer bem a verdade, eu só sinto falta dos desfiles. Com certeza, festa junina é muito superior. É o combo completo. Aqui, em Campo Grande, a experiência é incrível”, afirmou a comerciante.

 

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