Prefeitura de Bonito apura irregularidades de agências de turismo na cobrança da TCA

Sistema "Turista por Natureza" aponta que 5.663 turistas foram enquadrados em possíveis cadastros irregulares de "cortesia de taxa"
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A Prefeitura Municipal de Bonito, através da Fiscalização Tributária, identificou possíveis irregularidades, inconsistências cadastrais e eventual falsificação em vouchers de passeios turísticos, os quais podem ter impactado a cobrança da Taxa de Conservação Ambiental (TCA).

Durante o período inicial de implantação da TCA, a Fiscalização Municipal, em conjunto com o sistema responsável pelo processamento dos vouchers, identificou inconsistências relevantes em registros de passeios turísticos, especialmente no que se refere à concessão indevida de isenção da taxa a turistas não residentes no município de Bonito (MS).

O levantamento técnico realizado no sistema “Turista por Natureza” apontou que 5.663 turistas foram enquadrados em possíveis cadastros irregulares de “cortesia de taxa”.

De acordo com  a Prefeitura, as inconsistências estão relacionadas, principalmente, ao preenchimento de informações incompatíveis com a realidade, indicando o município de Bonito como local de residência, enquanto dados de CPF e contatos telefônicos demonstram origem em outros estados, caracterizando irregularidades cadastrais.

O Executivo afirma que as agências de turismo envolvidas serão notificadas para prestar esclarecimentos e, “caso as irregularidades sejam confirmadas, o município adotará as providências administrativas e jurídicas cabíveis”.

Além destas, a Fiscalização Tributária, por meio da Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico, notificará formalmente todas as agências de turismo que operam no município para apresentarem esclarecimentos e documentação comprobatória referente aos vouchers de passeios emitidos e comercializados, no prazo de cinco dias a contar do recebimento da notificação.

A Prefeitura reforça que a isenção da TCA é um direito assegurado somente aos moradores do município, mediante comprovação, conforme previsto na legislação vigente. O fornecimento de informações incompatíveis com a realidade configura irregularidade grave e afronta às normas legais.

DEBATES

A Taxa de Conservação Ambiental foi implantada pelo Município de Bonito a partir de 20 de dezembro de 2025, conforme estabelecido pela Lei Municipal nº 162/2021, com adequações promovidas pela Lei Municipal nº 169/2022.

Desde o início de sua implementação, a taxa tem sido objeto de debates e questionamentos por parte de representantes do setor turístico local. Em 11 de dezembro de 2025, a Associação Bonitense de Agências de Ecoturismo (ABAETUR), juntamente com a Associação Bonitense de Hotelaria (ABH) e a Associação de Guias de Turismo de Bonito (AGTB-MS) ingressaram com Mandado de Segurança perante o Poder Judiciário, questionando a legalidade da cobrança no âmbito municipal.

Em decisão proferida em 15 de dezembro de 2025, o juiz responsável determinou, de forma cautelar, a comunicação do Ministério Público Estadual para manifestação acerca da legitimidade da ação.

Posteriormente, durante o recesso do Judiciário, as associações reapresentaram pedido semelhante ao juiz plantonista da 11ª Circunscrição Judiciária (Jardim/MS).

Em decisão de 23 de dezembro de 2025, o magistrado negou o pedido de tutela de urgência, ao entender que não havia urgência que justificasse a atuação do plantão judicial, destacando ainda que a matéria já se encontrava sob análise da 1ª Vara de Bonito/MS.

Na sequência, em 25 de dezembro de 2025, o desembargador Dorival Renato Pavan, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, em decisão monocrática, também reconheceu a inadmissibilidade do pedido no plantão judicial, ressaltando a impossibilidade de revisão ou recurso, conforme o art. 75, §3º, do Regimento Interno do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Operação Águas Turvas

Em meio às cobranças de taxas para turistas, o ex-secretário de Administração e Finanças Edilberto Cruz Gonçalves, o “Beto Caveira”, segue preso, desde outubro de 2025, por envolvimento em fraudes em licitações públicas na cidade turística.

A operação Águas Turvas, comandada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio de investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), também prendeu Luciane Cintia Pazzete, ex-diretora do Departamento de Licitação; o arquiteto e urbanista Carlos Henrique Sanches Corrêa, 45 anos, proprietário da empresa Sanches e Corrêa que atua como fiscal de finanças; e o empreiteiro Genilton da Silva Moreira.

 

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