Vazamento de esgoto afugenta até macacos, mas empresa nega problema

Empresa MS Pantanal, denunciada pela jornalista Adiles Torres, levou multa superior a R$ 250 mil e agora o caso virou alvo de inquérito civil no MPE de Dourados
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Às vésperas de completar 91 anos, a jornalista e advogada Adiles do Amaral Torres denunciou ao Ministério Público e autoridades ambientais, em outubro do ano passado, que animais como macacos, pacas, cotias e diversos tipos de aves sumiram das imediações de sua chácara por conta do esgoto que estava contaminando a água do córrego Laranja Doce e por causa do “odor fortíssimo” que exalava do córrego.

Porém, somente sete meses depois é que as autoridades ambientas e a empresa responsável pela coleta e tratamento do esgoto em Dourados reconheceram que  diretora do mais antigo jornal de Mato Grosso do Sul, O Progresso, estava com razão.

Em fevereiro deste ano, quase cinco meses depois da denúncia inicial, duas fiscais do Instituto do Meio Ambiente de Dourados foram à chácara da Dona Adiles, como é conhecida, mas não encontraram nada de anormal na água do córrego Laranja Doce, que passa nos fundos de sua propriedade.

Dias depois, em abril, funcionários da empresa Ambiental MS Pantanal também foram à região e inclusive emitiram um documento dizendo que o suposto mau cheiro e a poluição não eram de responsabilidade da empresa, uma vez que o despejo de efluentes da empresa ocorria 2,5 quilômetros abaixo da chácara da experiente jornalista.

Alegaram, inclusive, que a suposta poluição seria decorrente do despejo irregular de esgoto na rede de água pluvial, sem se darem ao trabalho de percorrer a rede de coleta de esgoto da região toda em busca de possíveis defeitos.

Mas, como o problema persistia e os macacos, cotias e pacas não haviam retornado à chácara da matriarca da família Torres, as fiscais do instituto de meio ambiente resolveram fazer uma vistoria mais ampla na região.

No dia 13 de maio deste ano finalmente descobriram que realmente havia problema de vazamento crônico de esgoto, algo que a Dona Adiles, os macacos, cotias, pacas e pássaros já sabiam há muito tempo. Em sua denúncia, feita em dezembro de 2024, a jornalista anexou uma série de fotos dos animais que costumavam aparecer nos fundos de sua chácara.

Elas descobriram que em uma área de preservação permanente nos fundos da UNIGRAN, no chamado “Cantão do Bosque”, havia dois chamados Poços de Visita nos quais foi possível constatar que os vazamentos eram antigos e constantes.

Sobre uma das tampas, inclusive, haviam uma grande pilha de pedras que foi colocada por funcionários da universidade em uma tentativa de acabar com os extravasamentos. Mas, como havia sobrecarga ou algum entupimento da rede, as pedras serviam somente como um paliativo e o vazamento aumentava logo depois.

Sobre uma das tampas chegou a ser improvisada uma pilha de tijolos para tentar conter os constantes vazamentos de esgoto

Por conta do problema, as fiscais aplicaram multa de R$ 4,8 mil Uferms, o que equivale a quase R$ 252 mil à empresa Ambiental MS Pantanal, uma subsidiária do megagrupo empresarial Aegea, que desde meados de 2021 presta serviço à Sanesul.

E, nesta quinta-feira (3), o Ministério Público publicou em seu diário oficial que instaurou inquérito civil para apurar o tamanho dos danos ambientais decorrentes do despejo constante de esgoto no córrego que afugentou a fauna das imediações da chácara pertencente à proprietária do jornal que começou a circular em 1951 e parou de ser impresso em 2019.

Atualmente, o jornal comandado pela Dona Adiles, o mais antigo de Mato Grosso do Sul, segue na verão on-line. Ele foi fundado por Weimar Torres, que foi deputado federal pelo então Mato Grosso e morreu vítima de acidente aéreo em setembro de 1969, quando tinha 48 anos. Ela completa 92 anos em dezembro.

O inquérito instaurado pelo MPE não informa se o problema já foi corrigido. Mas, deixa claro que em ofício do dia 1º de julho deu prazo de 15 dias úteis para que a MS Pantanal informe se resolveu ou não o problema que resultou na multa de mais de R$ 250 mil aplicada pela prefeitura de Dourados.

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