Após a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para recolhimento de produtos da marca Ypê com lotes terminados em “1”, supermercados de Campo Grande adotaram medidas diferentes diante da restrição. Enquanto alguns estabelecimentos simplesmente “evaporaram” com os itens da marca das prateleiras, outros aproveitaram para liquidar produtos não afetados pela decisão, reduzindo preços para atrair consumidores.
Na bairro Piratininga, um mercado da Rede Pires liquidar produtos da marca que não foram atingidos pela determinação sanitária. O sabão em pó Tixan Ypê de 2,2 kg passou de R$ 18,55 para R$ 16,95, desconto de aproximadamente 10%. Na mesma unidade, a água sanitária caiu de R$ 9,99 para R$ 7,98. Ambos os produtos seguem liberados para comercialização.
A movimentação chamou atenção dos consumidores. A dona de casa Marta Jesus Saldanha, 43 anos, procurava pelo desinfetante Ipê, mas não encontrou o produto desejado.
“Queria o desinfetante Ypê, aqui é barato, em outros locais custa cerca de R$ 8, e aqui cerca de R$ 3″. Sem encontrar o produto na prateleira , pegou de outra marca, e saiu reclamando. ‘Essa Anvisa é sem vergonha, nada disso aí é verdade”, declarou.
Por sua vez, a feirante Arlidia Lemes, 56 anos, contou que decidiu descartar um dos produtos após acompanhar as notícias sobre o recolhimento.
“Sendo muito sincera, eu acompanhei as notícias e estava utilizando um produto do lote contaminado, joguei fora, e continuei usando outros produtos, como a água sanitária”, declarou.
Questionada, disse que pessoas da família “deram ombros” para a determinação sanitária. “Minha filha disse que vai continuar usando, mesmo os do lote estragado, está utilizando normalmente na casa dela. Eu sou medrosa, tive pneumonia recentemente e joguei o detergente fora, sabão em pó meu marido já comprou de outra marca”, destacou.
Histórico
A determinação da Anvisa foi publicada na última quinta-feira (7). Segundo o órgão, durante inspeção foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.
De acordo com a agência, os problemas comprometem os requisitos essenciais de Boas Práticas de Fabricação (BPF) de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de contaminação microbiológica, ou seja, presença indesejada de microrganismos patogênicos.
A proibição vale apenas para produtos fabricados em Amparo (SP) cujo número do lote termina com o algarismo “1”, como no exemplo L20341.
Confira os produtos proibidos:
Lava-louças (Detergentes Líquidos)
Ypê Clear Care
Ypê com Enzimas Ativas (todas as versões)
Ypê Toque Suave (todas as versões)
Ypê Green
Ypê Clear
Lava-roupas Líquidos (Tixan e Ypê)
Tixan Ypê Combate Mau Odor
Tixan Ypê Cuida das Roupas
Tixan Ypê Antibac
Tixan Ypê Coco e Baunilha
Tixan Ypê Green
Tixan Ypê Express
Tixan Ypê Power Act
Tixan Ypê Premium
Tixan Ypê Maciez
Lava-roupas Líquido Ypê (versões tradicionais)
Desinfetantes
Ypê Bak (todas as fragrâncias)
Atol (Uso Geral e Perfumado)
Pinho Ypê
O que não está proibido:
Sabão em pó (Tixan ou Ypê)
Água Sanitária
Amaciantes tradicionais e concentrados
Sabão em barra
Qualquer produto cujo lote não termine em “1”
Serviço*
A recomendação da Anvisa é para que consumidores não utilizem produtos da lista cujos lotes terminem em “1”. Nestes casos, a orientação é entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa pelo telefone 0800 1300 544 para solicitar substituição gratuita.
Em outros pontos da Capital, supermercados optaram apenas pela retirada dos produtos das prateleiras até esclarecimentos sobre a situação.



